Gui Christ | Photographer

Workshop

< Return

Sobre

A fotografia costuma ser apresentada como uma forma de registrar a realidade. Uma imagem pode servir como documento, prova, testemunho ou registro de um acontecimento. Mas quem decidiu isso?
 
Este workshop propõe uma reflexão sobre a fotografia a partir de uma perspectiva pouco discutida: sua relação com as formas de poder que ajudaram a definir como diferentes povos, territórios e acontecimentos seriam vistos e representados.
 
Ao longo de três encontros, vamos voltar ao surgimento da fotografia e compreender o contexto histórico em que ela apareceu, observando como a imagem fotográfica passou a ser utilizada para conhecer, classificar, documentar e representar o mundo.
 
A partir daí, vamos acompanhar uma trajetória que passa pela fotografia como evidência e documento, pela fotografia científica e pelas formas de representação de pessoas e povos por instituições civis e de poder, até chegar ao desenvolvimento da fotografia documental e do fotojornalismo.
 
A proposta é entender que essas formas de fotografar não surgiram isoladamente. Elas fazem parte de uma longa história de relações de poder e da maneira como determinadas imagens passaram a ser consideradas mais verdadeiras, objetivas ou confiáveis do que outras.
 
Na última parte do workshop, chegaremos à fotografia contemporânea para observar como novos artistas e fotografos vêm questionando essas ideias e propondo outras maneiras de produzir e circular fotografias.
 
O que acontece quando a fotografia deixa de tentar apenas mostrar uma realidade e passa também a questionar quem está olhando, quem está sendo fotografado e quem tem o poder de contar uma história?
 
É a partir dessas perguntas que vamos pensar a fotografia.
 

Programa:

Aula 1 – A construção do olhar ocidental
– O que é colonialismo?
– Como o colonialismo moldou o mundo
– A Europa e os povos de outros continentes
– Como nossa maneira de ver foi criada?
– O que é artes, belas artes e outras artes?
– O surgimento das ciencias humanas
– A modernidade e suas instituições
– O colonialismo de fato acabou?

 
Aula 2 – Quando a fotografia se torna verdade
– O surgimento da fotografia e o mundo moderno
– Fotografia: Arte ou Ciência?
– A escola pictorialista
– O surgimento da arte moderna e suas escolas
– Fotografia como evidência, documento e arquivo
– Fotografar para conhecer, classificar e representar
– Fotografia e as práticas coloniais
– O racismo fotográfico
– Da fotografia científica à fotografia documental
– O surgimento e a consolidação do fotojornalismo
– Fotografia e a invenção da realidade
 
Aula 3 – Quando a fotografia começa a questionar a própria fotografia
– O que é pós, de, des e contra colonial
– Diferentes formas de questionar o colonialismo
– A transformação da fotografia na arte contemporânea
– O fim da verdade fotográfica
– Novas fotografias e fotografos
– Imagem, memória e construção de novas narrativas
– Fotografia como ferramenta de revisão histórica
– Novas visualidades decoloniais na fotografia
 

Para quem é o workshop?

O workshop é destinado a fotógrafos, artistas, estudantes e pessoas interessadas em fotografia, arte, história e cultura.
 
Não é necessário ter formação em fotografia ou conhecimento prévio sobre o tema. A proposta é apresentar essa história de maneira acessível, criando um espaço para compreender melhor as imagens que produzimos, vemos e compartilhamos todos os dias.
 
Para quem já fotografa, o workshop também propõe uma reflexão sobre a própria prática: como podemos construir uma nova fotografia que represente ideais mais humanos, éticos e com novas estéticas? Como podemos recontar histórias para além dos meios hegemônicos associados a fotografia?

 

Quem é o professor?

Gui Christ é fotógrafo e artista visual brasileiro. É mestrando no Programa de Pós-Graduação Interunidades em Estética e História da Arte da Universidade de São Paulo (USP), onde pesquisa as relações entre colonialismo, visualidade e fotografia, investigando como as imagens participaram da construção de determinadas formas de representar o mundo e como a fotografia contemporânea vem questionando e desconstruindo essas estruturas.
 
Sua atuação como fotógrafo o coloca entre os nomes de destaque da fotografia contemporânea brasileira. É vencedor de alguns dos principais prêmios nacionais de fotografia, como o Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger e o Prêmio Marc Ferrez, e foi vencedor do Sony World Photography Awards, um dos mais importantes prêmios internacionais de fotografia. Seu trabalho já foi apresentado em importantes festivais e instituições do Brasil e do exterior, incluindo PhotoEspaña, PhotoVogue, Photoville e Les Rencontres d’Arles. Suas fotografias integram coleções como as do Museu Nacional de Belas Artes, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e Bibliothèque nationale de France, entre outras.
 

Referências bibliográficas

ARANTES, Priscila. Reescrituras da arte contemporânea: histórias, arquivo e mídia. Porto Alegre: Sulina, 2015.

AZOULAY, Ariella Aïsha. História potencial: desaprender o imperialismo. São Paulo: Ubu, 2024.

AZOULAY, Ariella Aïsha. The Civil Contract of Photography. New York: Zone Books, 2008.

BAKER, George. Photography’s expanded field. October, n. 114, p. 120–140, 2005.

BARTHES, Roland. A câmara clara: nota sobre a fotografia. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984.

BATCHEN, Geoffrey. Burning with desire: the conception of photography. Cambridge: MIT Press, 1997.

BATCHEN, Geoffrey. Post-photography. In: BATCHEN, Geoffrey. Each wild idea: writing, photography, history. London: MIT Press, 2000. p. 50.

BAUDELAIRE, Charles. O público moderno e a fotografia. In: TRACHTEMBERG, Alan (org.). Ensaios sobre fotografia: de Niépce a Kraus. Lisboa: Orfeu Negro, 2013.

BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. 8. ed. São Paulo: Brasiliense, 2012.

BENTO, Cida. O pacto da branquitude. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.

BISPO DOS SANTOS, Antônio. A terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu, 2023.

BOURDIEU, Pierre. Un arte medio: ensayo sobre los usos sociales de la fotografía. Barcelona: Gustavo Gili, 2003.

CAMPT, Tina. Listening to images. Durham: Duke University Press, 2017.

CAUQUELIN, Anne. Arte contemporânea: uma introdução. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

CHARTIER, Roger. O mundo como representação. Estudos Avançados, São Paulo, v. 5, n. 11, p. 173–191, 1991.

COHN, Bernard S. Colonialism and its forms of knowledge: the British in India. Princeton: Princeton University Press, 1996.

CONDURU, Roberto. Arte afro-brasileira. Belo Horizonte: C/Arte, 2007.

COTTON, Charlotte. The photograph as contemporary art. 3. ed. London: Thames & Hudson, 2020.

CRARY, Jonathan. Techniques of the observer: on vision and modernity in the nineteenth century. Cambridge: MIT Press, 1990.

DANTO, Arthur C. Após o fim da arte: a arte contemporânea e os limites da história. São Paulo: Odysseus, 2006.

DEWEY, John. Arte como experiência.

DUBOIS, Philippe. O ato fotográfico e outros ensaios. 14. ed. Campinas: Papirus, 2012.

EDWARDS, Elizabeth. Photographs and the practice of history. London: Bloomsbury, 2021.

EDWARDS, Elizabeth. Photography and anthropology. London: Reaktion Books, 2022.

EDWARDS, Elizabeth. Raw histories: photographs, anthropology and museums. Oxford: Berg, 2001.

ELBEIN DOS SANTOS, Juana. Os nagô e a morte: Pàde, Àsèsè e o culto Égun na Bahia. Petrópolis: Vozes, 1976.

FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. Salvador: EDUFBA, 2008.

FLUSSER, Vilém. Filosofia da caixa preta: ensaios para uma futura filosofia da fotografia. São Paulo: Annablume, 2002.

FONTCUBERTA, Joan. La furia de las imágenes: notas sobre la postfotografía. Barcelona: Galaxia Gutenberg, 2016.

FONTCUBERTA, Joan. O beijo de Judas: fotografia e verdade. Barcelona: Gustavo Gili, 2010.

FOSTER, Hal. O retorno do real: a vanguarda no final do século XX. São Paulo: Ubu, 2017.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 2014.

FRIED, Michael. Why photography matters as art as never before. New Haven: Yale University Press, 2008.

GIUNTA, Andrea. Contra o cânone: arte contemporânea em um mundo sem centro. São Paulo: Ubu, 2021.

HALL, Stuart. Cultura e representação. Rio de Janeiro: Ed. PUC-Rio, 2016.

HEINICH, Nathalie. Le paradigme de l’art contemporain: structures d’une révolution artistique. Paris: Gallimard, 2014.

HOOKS, bell. Olhares negros: raça e representação. São Paulo: Elefante, 2019.

INGOLD, Tim. Imagining for real: essays on creation, attention and correspondence. London: Routledge, 2022.

KOUTSOUKOS, Sandra Sofia Machado. Negros no estúdio do fotógrafo: Brasil, segunda metade do século XIX. Campinas: Editora da Unicamp, 2010.

KRAUSS, Rosalind. A originalidade da vanguarda e outros mitos modernos. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

MARIEN, Mary Warner. Photography: a cultural history. London: Laurence King, 2015.

MARTINS, Leda Maria. Afrografias da memória. São Paulo: Perspectiva, 2021.

MARTINS, Leda Maria. Performances do tempo espiralar. Rio de Janeiro: Cobogó, 2021.

MIRZOEFF, Nicholas. The Right to Look: a counterhistory of visuality. Durham: Duke University Press, 2011.

NARANJO, Juan (org.). Fotografía, antropología y colonialismo (1845–2006). Barcelona: Gustavo Gili, 2006.

NOGUEIRA, Sidnei. Intolerância religiosa. São Paulo: Jandaíra, 2020.

OLIVEIRA, Eduardo David de. Filosofia da ancestralidade. Curitiba: Gráfica Popular, 2007.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder e classificação social. In: SANTOS, Boaventura de Sousa; MENESES, Maria Paula (org.). Epistemologias do Sul. Coimbra: Almedina, 2009.

RANCIÈRE, Jacques. A partilha do sensível: estética e política. São Paulo: Editora 34, 2009.

RITCHIN, Fred. Después de la fotografía. Oaxaca: Ediciones Ve, 2010.

ROUILLÉ, André. A fotografia: entre documento e arte contemporânea. São Paulo: Senac São Paulo, 2009.

SAID, Edward W. Orientalismo: o Oriente como invenção do Ocidente. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

SCHWARCZ, Lilia Moritz. Imagens da branquitude: a presença da ausência. São Paulo: Companhia das Letras, 2024.

SEALY, Mark. Decolonising the camera: photography in racial time. London: Lawrence & Wishart, 2019.

SEKULA, Allan. The body and the archive. October, Cambridge, n. 39, p. 3–64, 1986.

SIMAS, Luiz Antonio; RUFINO, Luiz. Fogo no mato: a ciência encantada das macumbas. Rio de Janeiro: Mórula, 2018.

SODRÉ, Muniz. O terreiro e a cidade: a forma social negro-brasileira. Rio de Janeiro: Mauad, 2002.

SONTAG, Susan. Sobre fotografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

TAGG, John. The burden of representation: essays on photographies and histories. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1988.

Informações

Duração:03/10/17 de novembro.
Realização: Online via zoom
Horários: das 19:00h às 21:00h
Limite: 20 participantes
Aulas gravadas e disponibilizadas por 1 semana.
 
Mais informações:
contato@guichrist.com
 
WhatsApp 11 999874355

Pagamento

À vista R$350,00
Chave pix: 24.480.179/0001-90
 
Cartão de crédito R$400,00 ( podendo parcelar).
 


cards

Com tecnologia paypal

 
Após o pagamento, enviar comprovante, nome completo, numero do cpf e email para: WhatsApp 11 999874355
 

Bolsa social

Será oferecida 02 bolsas para jovens fotográficos Afro-Brasileiros, Indígenas ou Trans, com perfil sócio econômico de baixa renda.
 
Pré-requisitos:
– Idade entre 20 e 25 anos;
– Estudar regulamente em alguma instituição de ensino de artes ou ter alguma vivência artística comprovada;
– Ser morador de regiões de baixo índice de desenvolvimento social.
– Enviar link de perfil de instagram relacinados a sua produção fotográfica.

Política de cancelamento

Os alunos poderão pedir o cancelamento de sua participação em até 24h depois de sua inscrição. O reembolso será feito mediante ao desconto de taxas e impostos. Após esse marco, não haverá possibilidade de reembolso.